segunda-feira, maio 22, 2006

The Zé Gó Code.



















O desiquilibrio de...
Zé Gótico acorda no meio do seu quarto pintado de um negro de sofrimento...acorda com o som de gritos de uma rapariga que estava a ser violada, som esse que saia do seu despertador.
Levanta-se e com um andar ainda de um zombie sonambulo, e come os seus cereais da morte que tinham pontas ligeiramente afiadas arranhando a garganta à medida que faziam o caminho até ao seu estomago negro....envolto em total fucking darkness.
A escuridão era tanta que os alimentos que ainda não tinham sido vitimas do àcido que Zé tinha no estomago, cortavam-se e lamentavam-se da sua vida de merda, muitos escreveram cartas de despedida que depois Zé defecava e outros suicidavam-se atirando-se para a piscina de àcido no sector esquerdo do estomago de Zé Gó. Depois de ter a garganta toda arranhada dos seus death cereals, Zé tira umas 1200 fotos em que ele esta a segurar um coração ensaguentado...fotos que mais tarde iria por no seu fotolog.

10h00
Zé sai da sua vivenda em cascais, enquanto caminha desesperado de sofrimento por si e por todos, Zé ve uma carrinha da Tvi que ao passar por si abre a porta de correr de onde sai alguem que não identifica e que dispara um tiro que acerta no pobre Gó...Zé ensanguentado consegue ainda voltar para casa, mas não lhe vale de muito...só tem forças para chegar ao pé da sua cama e deixar cair todo o seu peso morto em cima dela...(isto acontece depois de Zé ter gastado as suas ultimas forças a tirar fotos ao sangue que saia dos seus braços enquanto segurava uma rosa ou algo desse género..."finalmente umas fotos em que não me tenho de cagar todo de ketchup" - pensou Zé, provavelmente o seu ultimo pensamento)
Ninguém aparece.
Só passado 5 horas dois colegas da turma do Zé entram em sua casa pela porta ainda encostada.
- Só sangue meu.
- Deve ter andado a tirar fotografias, isso provavelmente é heinz ketchup.

Miguel e Lionel entraram no quarto onde o corpo se encontrava.

- Lá tá o gajo a fazer de morto, deves ter qualquer coisa por gente morta man- disse Miguel- és pedófilo dos mortos.

Lionel- Pedófilo dos mortos? Não quererás dizer Necrofilo?

- Necrófilo? Porque carga d´àgua é que eu haveria de querer dizer necrófilo? Bem o gajo hoje entrou mesmo na personagem....não se mexe à 15 minutos......vai ter que levar com um moche.

MOCHE!!!

Zé só se mexe porque contra ele vai Miguel...que ve que o peito de Zé não se mexe nem sequer para respirar.....

- O gajo tá morto meu.

Os dois vivos presentes naquele quarto olham-se em pânico...o pânico só foi vencido por 3 garrafas de Jack Daniels que eles emborcaram de seguida, era a sua maneira de lidar com situações de pânico. Já a primeira experiência sexual de Lionel tinha sido precedida de4 garrafas de Daniels e por isso hoje é pai.
Já o pedido de casamento de Miguel também tinha sido feito quando este já tinha 4 garrafas de Daniels no bucho...o que levou Miguel pedir em casamento uma total estranha, o casamento dura até aos dias de hoje.
Mas no quarto escuro de morte e a cheirar a bebedeira os vivos falavam.
- Mas quem é que achas que matou man???
- Caga nisso man....Rave party!!!

Os vivos começam a dançar no meio da escuridão ao som de batidas que só eles ouviam, tinham colares e coisas que brilhavam no escuro.....a bebedeira empurrou Lionel contra a parede. Ao encostar a fonte de luz a um quadro que Zé tinha na sua parede consegue ver que no quadro está qualquer coisa escrito.

- Qué isso?

No quadro estava escrito: 3 langos intervados

- Man ísto é fucked up......isso não que dizer nada.
- Espera se calhar as letras estão numa ordem diferente.......tenta mudar a posição das letras pra ver se apanhas alguma coisa.
- 3 anais.....não.....natemos 3 ovarios .
- Então e o "lvd"?
- Love dick? Sei la, caga nisso ele tá morto de qualquer das maneiras. Dance!
- Já sei- Lionel mesmo assim foi sempre o mais esperto deles os dois- 3º intervalo dos morangos, ele quer que a gente veja qualquer coisa que vai dar no 3º intervalo dos morangos.
- E eu que pensava que tava bebado....man, o que tu disseres é que é.

Sentam-se os dois a ver "aquilo".
"Tu não tens personalidade. A Vanesaa gosta mais de mim do que de ti."

- Man isto é uma merda.....
- Olha, olha...terceiro intervalo.


"Se és fã dos morangos não podes perder o concerto dos Dzrt no Rock in rio."

- Ele quer que a gente vá ver aqueles gajos? Eu não obedeço a um morto muito menos para ir onde ele quer que eu vá.
- Não sejas assim Miguel, lembra-te do que o Zé fez por ti quando ainda era vivo...quem te deu aquelas 4 garrafas de Jack Daniels quando tu estavas em pânico por não conseguires pedir a Cleotilde em casamento...
- Tens razão, por mais que nos custe...temos de ir.

Miguel e Lionel estão no amaldiçoado recinto, são os mais altos de lá.....e de certeza os unicos dos que estavam lá que tinham pelos púbicos, já que eram só crianças.
Passados 5 minutos já os ouvidos dos dois deitavam sangue...nesse momento um dos palhaços que estava no palco a emitir sons para o microfone e que não parava de saltar diz:

- Agora saltem todos.

Toda a gente salta menos Miguel e Lionel...todos aqueles pés deprimentes de crianças que apesar de não terem culpa já estão condenadas, invocaram o apocalipse.
Sim a qualidade da "musica" e a lavagem ao cérebro a que aqueles putos tinham sido submetidos invocou o apocalipse.
Miguel e Lionel não perceberam como é que Zé podia saber disto ou porque é que não lhes disse como tudo poderia ser evitado. Mas a terra estava-se a abrir, não havia nada a fazer.

- Filho da puta do Zé- disse Miguel.

O Mundo acabou e como acabou quem quer que esteja a escrever isto já não o pode fazer porque está morto, posto isto despeço-me.







Qualquer suspeita de falta de sentido é um claro sinal de impotência sexual.




Yours sincerely...............Kid_d

quinta-feira, maio 18, 2006

Elohim Meth

As minhas botas castanhas com atacadores grossos estavam escuras da água que nunca parava de cair do céu roxo e preto em cima de nós.
Olhei e vi a estrela que olhava para mim de frente sempre que eu ia à minha pequena varanda. De lá de cima olhava-me de maneira diferente, mandava-me com mais água, parecia que ela queria que a água entrasse na minha cabeça como se tudo o que eu pensasse não tivesse valor para uma estrela bem mais antiga do que eu alguma vez poderia ser, estrela que me acompanhára a vida toda queria-me afogar de mágoa por não poder ser como ela, sem ter noção de ser, sem poder parar o tempo mas sem saber que ele passava...eu nunca poderia ser assim. Contudo naquele momento eu era maior que ela."Eu posso acabar contigo se quiser!!! Julgaste tão importante? É só mandar um foguete e perdes toda a importância, deixas de ser vista...um foguete e as pessoas nem sequer se lembrarão do que estavam a pensar quando em ti.....em ti...encontraram a melancolia."
Olho para a marca que as minhas botas deixam no chão que agora é lama, fuck, estou bêbedo.Estava bêbado mas tinha plateia, à porta das suas casas algumas pessoas olhavam para o unico que desafiava a chuva e que semi-cerrava os olhos ao olhar para o céu roxo e preto que deu lugar à escuridão dentro dele que o pôs a dormir.
O nevoeiro acorda-me. Ele puxa os pés das senhoras que vão chamar os filhos para o almoço. Levantei-me, o fumo do cigarro que pus entre os lábios mostravam-me a estrela a sorrir para o céu roxo e preto que a cercava, a sua beleza não existia sem aquele céu que nos envolvia a todos, que era uma marca da nossa existência, da nossa tristeza aqui neste fim de mundo que me acolhia como a sua ovelha negra, como o pobrezinho...como o que tinha perdido o amor da sua vida à um ano atrás.
Batem à porta, levo o meu tempo até lá chegar...o que tinha bebido ontem parecia ainda querer afundar-me no que não tinha, não a tinha a ela. Abro-lhe a porta.
"Os meus pêsames. Faz hoje um ano.
"Pensas que não sei?Pensas que isso não me atormentou todos os minutos, de todas as horas de todos os dias? Obrigado."
Caminhamos para o cemitério, debaixo da chuva que cai sobre nós, debaixo da estrela que chora a nossa perda. O portão grande, negro, molhado abre-se...para que entremos onde não queriamos ter de estar, onde os que já não estão nos lembram do que poderia ter sido se eles ainda estivessem aqui. Se estivessem connosco o céu não seria roxo nem preto, as lágrimas desse céu não cairiam sobre nós lembrando-nos do sofrimento porque não haveria sofrimento, não se estivesses aqui...se estivesses aqui a estrela sorriria de felicidade e não choraria de solidão como faz hoje. Chegamos ao fim do labirinto de lápides cinzentas que, molhadas parecem brilhar...como os meu olhos ao verem aquela que me deixou, faz hoje um ano.
Todos de cabeça baixa, sem olharem para lado nenhum não me veem caminhar para a frente da campa, mas ouvem-me a falar.
"Ela morreu e eu morri com ela. Quem está aqui à vossa frente não é aquele que todos vocês conhecem. Este, aqui, agora apodrece por dentro e vive na esperança estupida de encontrar aquela que esta aqui deitada, fria e morta, na rua e voltar com ela para casa como se nada tivesse acontecido. Não posso fazer isso. Ela está morta. Eu sem ela não vivo, sobrevivo...nunca fui de ser contra Deus, mas a minha simplicidade e o meu amor cego só me leva a ele, só me mostra ele como responsavél por isto tudo. Hoje, quando sair daqui, vou até ao sitio onde nos conhecemos, e naquela àrvore que por muitas vezes serviu de sombra ao nosso amor, enforcar-me-ei e vou atrás do culpado de todo este sofrimento atroz."
Não se ouve nada, a não ser a chuva a bater no chão, nas lápides e em nós. Seguem-me, até onde a conheci, onde a relva já não era verde mas castanha, onde um ramo tinha a minha morte escrita...as pessoas respeitavam-me, tinham noção do que se estava a passar comigo porque tinham visto o nosso amor, e de certa maneira estavam triste por não terem sido elas próprias capazes de encontrar um amor tão forte como o nosso. A gentil e sempre bonita Madalena tinha ido buscar um banco, em cima dele atei a corda ao ramo fiz o nó da forca e usei-o como um colar. Todos olhar para mim e sorriem levemente de ternura. Sem ser preciso dizer nada Madalena, delicadamente, como se estivesse a pegar num recém nascido ou a sentir uma das suas flores, que tinham ficado negras de sofrimento, com essa delicadeza tira-me lentamente o banco debaixo dos pés. E eu, sem o menor pânico sinto o ar a sair e a não querer entrar novamente nos meus pulmões, olho para o céu por entre as folhas negras da árvore, da nossa árvore.
"Senhor quando estiver na tua presença, vais pagar o que fizeste ao meu amor. Vais morrer."
E assim a minha ultima palavra desaparecia no ar, na chuva que parou no momento em que morri, na estrela que desapareceu no momento em que morri, nas cores vivas e alegres que voltaram ao céu, à relva...no momento em que morri. Agora só na noite. Só na solidão da noite o meu amor e sofrimento é lembrado.





Yours sincerely...............Kid_d