Elohim Meth
As minhas botas castanhas com atacadores grossos estavam escuras da água que nunca parava de cair do céu roxo e preto em cima de nós.
Olhei e vi a estrela que olhava para mim de frente sempre que eu ia à minha pequena varanda. De lá de cima olhava-me de maneira diferente, mandava-me com mais água, parecia que ela queria que a água entrasse na minha cabeça como se tudo o que eu pensasse não tivesse valor para uma estrela bem mais antiga do que eu alguma vez poderia ser, estrela que me acompanhára a vida toda queria-me afogar de mágoa por não poder ser como ela, sem ter noção de ser, sem poder parar o tempo mas sem saber que ele passava...eu nunca poderia ser assim. Contudo naquele momento eu era maior que ela."Eu posso acabar contigo se quiser!!! Julgaste tão importante? É só mandar um foguete e perdes toda a importância, deixas de ser vista...um foguete e as pessoas nem sequer se lembrarão do que estavam a pensar quando em ti.....em ti...encontraram a melancolia."
Olho para a marca que as minhas botas deixam no chão que agora é lama, fuck, estou bêbedo.Estava bêbado mas tinha plateia, à porta das suas casas algumas pessoas olhavam para o unico que desafiava a chuva e que semi-cerrava os olhos ao olhar para o céu roxo e preto que deu lugar à escuridão dentro dele que o pôs a dormir.
O nevoeiro acorda-me. Ele puxa os pés das senhoras que vão chamar os filhos para o almoço. Levantei-me, o fumo do cigarro que pus entre os lábios mostravam-me a estrela a sorrir para o céu roxo e preto que a cercava, a sua beleza não existia sem aquele céu que nos envolvia a todos, que era uma marca da nossa existência, da nossa tristeza aqui neste fim de mundo que me acolhia como a sua ovelha negra, como o pobrezinho...como o que tinha perdido o amor da sua vida à um ano atrás.
Batem à porta, levo o meu tempo até lá chegar...o que tinha bebido ontem parecia ainda querer afundar-me no que não tinha, não a tinha a ela. Abro-lhe a porta.
"Os meus pêsames. Faz hoje um ano.
"Pensas que não sei?Pensas que isso não me atormentou todos os minutos, de todas as horas de todos os dias? Obrigado."
Caminhamos para o cemitério, debaixo da chuva que cai sobre nós, debaixo da estrela que chora a nossa perda. O portão grande, negro, molhado abre-se...para que entremos onde não queriamos ter de estar, onde os que já não estão nos lembram do que poderia ter sido se eles ainda estivessem aqui. Se estivessem connosco o céu não seria roxo nem preto, as lágrimas desse céu não cairiam sobre nós lembrando-nos do sofrimento porque não haveria sofrimento, não se estivesses aqui...se estivesses aqui a estrela sorriria de felicidade e não choraria de solidão como faz hoje. Chegamos ao fim do labirinto de lápides cinzentas que, molhadas parecem brilhar...como os meu olhos ao verem aquela que me deixou, faz hoje um ano.
Todos de cabeça baixa, sem olharem para lado nenhum não me veem caminhar para a frente da campa, mas ouvem-me a falar.
"Ela morreu e eu morri com ela. Quem está aqui à vossa frente não é aquele que todos vocês conhecem. Este, aqui, agora apodrece por dentro e vive na esperança estupida de encontrar aquela que esta aqui deitada, fria e morta, na rua e voltar com ela para casa como se nada tivesse acontecido. Não posso fazer isso. Ela está morta. Eu sem ela não vivo, sobrevivo...nunca fui de ser contra Deus, mas a minha simplicidade e o meu amor cego só me leva a ele, só me mostra ele como responsavél por isto tudo. Hoje, quando sair daqui, vou até ao sitio onde nos conhecemos, e naquela àrvore que por muitas vezes serviu de sombra ao nosso amor, enforcar-me-ei e vou atrás do culpado de todo este sofrimento atroz."
Não se ouve nada, a não ser a chuva a bater no chão, nas lápides e em nós. Seguem-me, até onde a conheci, onde a relva já não era verde mas castanha, onde um ramo tinha a minha morte escrita...as pessoas respeitavam-me, tinham noção do que se estava a passar comigo porque tinham visto o nosso amor, e de certa maneira estavam triste por não terem sido elas próprias capazes de encontrar um amor tão forte como o nosso. A gentil e sempre bonita Madalena tinha ido buscar um banco, em cima dele atei a corda ao ramo fiz o nó da forca e usei-o como um colar. Todos olhar para mim e sorriem levemente de ternura. Sem ser preciso dizer nada Madalena, delicadamente, como se estivesse a pegar num recém nascido ou a sentir uma das suas flores, que tinham ficado negras de sofrimento, com essa delicadeza tira-me lentamente o banco debaixo dos pés. E eu, sem o menor pânico sinto o ar a sair e a não querer entrar novamente nos meus pulmões, olho para o céu por entre as folhas negras da árvore, da nossa árvore.
"Senhor quando estiver na tua presença, vais pagar o que fizeste ao meu amor. Vais morrer."
E assim a minha ultima palavra desaparecia no ar, na chuva que parou no momento em que morri, na estrela que desapareceu no momento em que morri, nas cores vivas e alegres que voltaram ao céu, à relva...no momento em que morri. Agora só na noite. Só na solidão da noite o meu amor e sofrimento é lembrado.
Yours sincerely...............Kid_d
Olhei e vi a estrela que olhava para mim de frente sempre que eu ia à minha pequena varanda. De lá de cima olhava-me de maneira diferente, mandava-me com mais água, parecia que ela queria que a água entrasse na minha cabeça como se tudo o que eu pensasse não tivesse valor para uma estrela bem mais antiga do que eu alguma vez poderia ser, estrela que me acompanhára a vida toda queria-me afogar de mágoa por não poder ser como ela, sem ter noção de ser, sem poder parar o tempo mas sem saber que ele passava...eu nunca poderia ser assim. Contudo naquele momento eu era maior que ela."Eu posso acabar contigo se quiser!!! Julgaste tão importante? É só mandar um foguete e perdes toda a importância, deixas de ser vista...um foguete e as pessoas nem sequer se lembrarão do que estavam a pensar quando em ti.....em ti...encontraram a melancolia."
Olho para a marca que as minhas botas deixam no chão que agora é lama, fuck, estou bêbedo.Estava bêbado mas tinha plateia, à porta das suas casas algumas pessoas olhavam para o unico que desafiava a chuva e que semi-cerrava os olhos ao olhar para o céu roxo e preto que deu lugar à escuridão dentro dele que o pôs a dormir.
O nevoeiro acorda-me. Ele puxa os pés das senhoras que vão chamar os filhos para o almoço. Levantei-me, o fumo do cigarro que pus entre os lábios mostravam-me a estrela a sorrir para o céu roxo e preto que a cercava, a sua beleza não existia sem aquele céu que nos envolvia a todos, que era uma marca da nossa existência, da nossa tristeza aqui neste fim de mundo que me acolhia como a sua ovelha negra, como o pobrezinho...como o que tinha perdido o amor da sua vida à um ano atrás.
Batem à porta, levo o meu tempo até lá chegar...o que tinha bebido ontem parecia ainda querer afundar-me no que não tinha, não a tinha a ela. Abro-lhe a porta.
"Os meus pêsames. Faz hoje um ano.
"Pensas que não sei?Pensas que isso não me atormentou todos os minutos, de todas as horas de todos os dias? Obrigado."
Caminhamos para o cemitério, debaixo da chuva que cai sobre nós, debaixo da estrela que chora a nossa perda. O portão grande, negro, molhado abre-se...para que entremos onde não queriamos ter de estar, onde os que já não estão nos lembram do que poderia ter sido se eles ainda estivessem aqui. Se estivessem connosco o céu não seria roxo nem preto, as lágrimas desse céu não cairiam sobre nós lembrando-nos do sofrimento porque não haveria sofrimento, não se estivesses aqui...se estivesses aqui a estrela sorriria de felicidade e não choraria de solidão como faz hoje. Chegamos ao fim do labirinto de lápides cinzentas que, molhadas parecem brilhar...como os meu olhos ao verem aquela que me deixou, faz hoje um ano.
Todos de cabeça baixa, sem olharem para lado nenhum não me veem caminhar para a frente da campa, mas ouvem-me a falar.
"Ela morreu e eu morri com ela. Quem está aqui à vossa frente não é aquele que todos vocês conhecem. Este, aqui, agora apodrece por dentro e vive na esperança estupida de encontrar aquela que esta aqui deitada, fria e morta, na rua e voltar com ela para casa como se nada tivesse acontecido. Não posso fazer isso. Ela está morta. Eu sem ela não vivo, sobrevivo...nunca fui de ser contra Deus, mas a minha simplicidade e o meu amor cego só me leva a ele, só me mostra ele como responsavél por isto tudo. Hoje, quando sair daqui, vou até ao sitio onde nos conhecemos, e naquela àrvore que por muitas vezes serviu de sombra ao nosso amor, enforcar-me-ei e vou atrás do culpado de todo este sofrimento atroz."
Não se ouve nada, a não ser a chuva a bater no chão, nas lápides e em nós. Seguem-me, até onde a conheci, onde a relva já não era verde mas castanha, onde um ramo tinha a minha morte escrita...as pessoas respeitavam-me, tinham noção do que se estava a passar comigo porque tinham visto o nosso amor, e de certa maneira estavam triste por não terem sido elas próprias capazes de encontrar um amor tão forte como o nosso. A gentil e sempre bonita Madalena tinha ido buscar um banco, em cima dele atei a corda ao ramo fiz o nó da forca e usei-o como um colar. Todos olhar para mim e sorriem levemente de ternura. Sem ser preciso dizer nada Madalena, delicadamente, como se estivesse a pegar num recém nascido ou a sentir uma das suas flores, que tinham ficado negras de sofrimento, com essa delicadeza tira-me lentamente o banco debaixo dos pés. E eu, sem o menor pânico sinto o ar a sair e a não querer entrar novamente nos meus pulmões, olho para o céu por entre as folhas negras da árvore, da nossa árvore.
"Senhor quando estiver na tua presença, vais pagar o que fizeste ao meu amor. Vais morrer."
E assim a minha ultima palavra desaparecia no ar, na chuva que parou no momento em que morri, na estrela que desapareceu no momento em que morri, nas cores vivas e alegres que voltaram ao céu, à relva...no momento em que morri. Agora só na noite. Só na solidão da noite o meu amor e sofrimento é lembrado.
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2 Comments:
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